‘Chegou Honey Boo Boo!’ renova debate sobre limites do reality

Para entender o que está por tras desse tipo de programa leia meu artigo sobre o assunto http://lucianoalvarenga.blogspot.com.br/2013/03/o-sonho-do-poder-sexo-religiao-e.html

Sucesso de público e massacrado nos EUA, ‘Chegou Honey Boo Boo!’ renova debate sobre limites do reality

  • Programa que estreia no Brasil na quarta, às 21h30m, no TLC, é estrelado por Alana Thompson, menina de 6 anos que sonha ser miss
NATALIA CASTRO(EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)
Publicado:24/03/13 – 8h00
Atualizado:24/03/13 – 8h00

RIO – ‘Oi, eu sou Alana, tenho 6 anos e sou uma rainha da beleza”: com um sotaque carregado do sul dos Estados Unidos, é assim que Alana Thompson se apresenta na abertura de seu reality show, “Chegou Honey Boo Boo!”. O programa, que estreia no Brasil na quarta, às 21h30m, no TLC, no entanto, não mostra a menina em situações engraçadinhas ou fofas, como se poderia imaginar. Campeão de audiência e também de críticas negativas nos Estados Unidos, a atração é acusada de mostrar exploração infantil, escatologia, autodepreciação ou, simplesmente, mau gosto. Seu enorme sucesso provocou uma onda de protestos e renovou a discussão: os realities estariam indo longe demais?
Títulos como “My giant face tumor” (”Meu tumor facial gigante”) e “I was impalet” (”Eu fui empalado”), exibidos respectivamente pelo TLC e pelo Discovery Fit & Health nos EUA e ainda sem previsão de chegar ao Brasil, indicam que sim. Mas André Rossi, diretor de programação da Discovery Networks no Brasil, argumenta que o canal busca histórias que retratam, essencialmente, a realidade. E a realidade que pode ser “lúdica, factual ou bem-humorada”.
— As séries registram e não exploram as condições de ninguém. São registros de realidade e também um serviço para o telespectador. “Acumuladores”, por exemplo, trouxe à tona a discussão sobre a existência de um transtorno que nós conhecemos, mostrando casos de superação. Esse é o nosso viés — defende Rossi.
“Chegou Honey Boo Boo!” é um spin-off de outro reality: “Pequenas misses”, do qual Alana participou e onde ganhou a fama pelo jeito desinibido e pela repetição de frases como “A dolla makes me holla” (“Um dólar me deixa eufórica”). Em sua série solo, a vida cotidiana da menina e de sua família — os pais e três irmãs — em McIntyre, na Georgia, é mostrada com lente de aumento (veja mais na página seguinte). Para veículos como o “Examiner”, o show é um reflexo da recessão que mudou o estilo de vida de uma parcela dos americanos. Mas outras reações ao programa são explosivas. Jornalistas como Tim Goodman, do “Hollywood reporter”, escreveram textos implorando que os americanos dissessem não a “Honey Boo Boo”. A crítica Jennifer Pozner, em texto no “The New York Times”, culpa esse tipo atração “por “hipersexualizar crianças ao colocá-las em trajes sumários e burlescos”. E vai além: “As crianças não têm ideia de como estão sendo exploradas. Quem assiste se torna cúmplice do abuso infantil”.
Esses apelos, no entanto, não foram atendidos. Em média, o reality teve 2,4 milhões de telespectadores nos EUA.
Sem polemizar no que tange à superexposição de crianças frente às câmeras, Rossi define a série como “um dos poucos retratos fiéis de uma família que vive na zona rural dos Estados Unidos”.
— O tom é bem-humorado, respeitoso e condizente à atitude autêntica de uma família que tem orgulho de ser como é — contemporiza ele.
Diretor de “A fazenda”, Rodrigo Carelli acredita que programas de TV como “Honey Boo Boo” apenas potencializam um comportamento já presente numa sociedade em que pais enchem as redes sociais com fotos de suas crias. O primordial, ele frisa, é achar o tom certo:
— Essas atrações levam a dois caminhos. Ou o espectador se identifica com o que está vendo, ou conclui que não quer aquilo de jeito nenhum. Mas sou adepto da teoria “não gostou, desliga a TV”.
Carelli destaca que o desenvolvimento deste tipo de programa reforça a grande demanda por variedade que existe lá fora. Principalmente no que diz respeito aos realities, “objetos de fascínio”. Ou guilty pleasures (prazeres culpados), como ele define. Assim, o diretor explica, são criadas atrações já exibidas aqui, como “Acumuladores”, “Muquiranas”, “Obsessivos compulsivos”. Focados em doenças raras e estilos de vida pouco ortodoxos, os “docu-realities” abordam situações em seu extremo.
— As pessoas assistem porque se identificam. Eu, por exemplo, sou fã de “Acumuladores”. Quem não tem uma gaveta em casa cheia de tralha? Mas os programas mostram a situação em outro nível. O grotesco até atrai, mas o que vale mesmo é uma boa narrativa acompanhada de bons personagens — diz Carelli.
Para o sociólogo Dario Caldas, diretor do Observatório de Sinais, agência especializada em pesquisas e tendências, essas temáticas — por mais abrangentes que sejam — não podem ser consideradas inusitadas, já que são derivadas de situações reais. Sem falar em assistencialismo, ele diz que esses programas funcionam como uma troca e acabam por prestar um serviço.
— O que deve ser perguntado é: quanto custaria, para as pessoas, um tratamento desses problemas que são tratados na frente das câmeras? Não há exploração, os participantes vão procurar ajuda — defende ele, que vai na contramão da ideia de identificação. — O que atrai o telespectador não é solidarizar-se, nem comparar-se. Ele quer ver o fim, o enlace, simples assim. Como acontece nos quadros do programa de Luciano Huck.
Se depender de Rossi, esse formato está longe do esgotamento. Além do sucesso de “Chegou Honey Boo Boo!” até fora dos EUA, ele destaca que, no Brasil, “Minha estranha obsessão” e “Acumuladores” estão entre as séries mais assistidas no Discovery Home & Health em 2012. Ao contrário de Caldas, ele cita exatamente o inusitado como o principal ingrediente.
— No caso de “Chegou Honey Boo Boo!” o inusitado é exatamente a normalidade da família de Alana — frisa.
Resta saber se o público brasileiro acostumado a realities de confinamento ou música vai se entreter com a triste rotina de sulistas americanos.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/revista-da-tv/sucesso-de-publico-massacrado-nos-eua-chegou-honey-boo-boo-renova-debate-sobre-limites-do-reality-7923096#ixzz2OTJevJR5
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