A crise da mídia chegou ao interior

Luciano Alvarenga, Sociólogo
No mundo todo os jornais impressos estão diante de um grande desafio, como sobreviver ante a explosão da internet e da informação instantânea nos portais, Blogs e redes sociais.
Desde a popularização da internet nos Estados Unidos nos anos 1990 e no Brasil nos anos 2000, que os jornalões veem perdendo leitores e assinantes. E sumindo os leitores desaparecem os anunciantes que são na verdade quem paga o jornal.
Os jornalões já vinham passando por um processo que tornou a coisa mais grave ainda, que foi a demissão em massa dos grandes jornalistas, corte de custos, e a contratação de uma miríade de jovens jornalistas em grande parte mal preparados. A qualidade da noticia e o trato dado a ela despencou.
O leitor ou assinante que vinha acompanhando a piora do seu veículo de informação de repente passou a buscar na internet o amais que procurava. E achou em maior numero, com mais variedade, mais qualidade, mais independência editorial e com a vantagem de que podia, o leitor, ler em vários canais da internet a noticia de maneiras as mais diferenciadas.
Agora chegou o segundo tempo dessa mudança. As redes sociais. Especialmente o facebook e o twitter. Uma noticia publicada num jornal ou revista é contestada imediatamente por dezenas de pessoas nas redes sociais que além de debatê-la dão versões melhores do mesmo fato quando não o desmentem categoricamente, distribuindo a nova visão do fato a milhares de pessoas conectadas nas redes sociais.
De repente os jornaloes parecem ainda mais velhos do que são. Comprometidos com a ideia de que são o centro da noticia e imaginando ainda que continuam sendo os únicos formadores de opinião, não percebem que a audiência e os leitores migraram definitivamente e o fazem cada vez mais rapidamente para a internet.
Os jornalões continuam dando sua versão combinada com outros jornais fingindo não estarem olhando para o que os leitores dizem e escrevem nas redes sociais. Fingem que a internet não existe esperando com isso impedir que a mudança continue acontecendo.
Como a criança que esconde a cabeça debaixo da coberta imaginando ter desaparecido da mãe que a procura, os jornalões fingem que a internet e a intensa rede de debates e de novas fontes de noticia não existem.
Interessante que este fenômeno que tomou conta primeiro das grandes mídias tradicionais, agora se espraia pelo interior do pais convulsionando a imprensa local e regional. E a medida que as pessoas se dão conta da força que tem e de que nada as impedem de discutir abertamente os limites de uma imprensa cada vez mais comprometida com grupos financeiros e interesses econômicos e políticos, o que vemos é o que podemos denominar como primavera midiática, ou a liberdade de imprensa sendo levada as últimas consequências em todos os cantos do país.
Tudo isso ocorre no momento mesmo em que a grande imprensa nacional resolveu tornar-se um partido de oposição no pais. Fazendo isso deixou órfãos os pequenos e médios jornais do interior do Brasil que precisam conviver com uma cena política impossível de ser traduzida dessa maneira. É por isso que as imprensas locais vêm fazendo uma intensa campanha contra as câmaras de vereador, o mais fácil, quando na verdade deveriam estar discutindo de fato os grandes problemas da política, a necessidade imperiosa de uma reforma eleitoral e partidária, o caciquismo dos donos regionais de partido e o balcão de negócios proveniente dele e que tem morada nas câmaras municipais.
É por não discutir o que realmente interessa e de fato é fundamental que os jornalões assistem os leitores migrarem para as redes sociais e a internet se transformar na grande formadora de opiniãio nas capitais e no interior do Brasil. 


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