Rio Preto: Por que a imprensa não fala?


É muito significativo que as vésperas da campanha eleitoral em Rio Preto a questão do aumento das cadeiras no Legislativo municipal tenha voltado à cena central dos debates.
O retorno do debate, feito de forma rasa, uma vez que a questão se resume apenas na ideia do numerário e na legalidade da questão, nos leva a concluir que a política na cidade se apequenou de forma estarrecedora.
Não há ideias, não há projetos, não há nenhuma discussão política que de ênfase a cidade, seus problemas, suas necessidades e como transformá-la numa cidade hi tech, sustentável, mais integrada geograficamente, e núcleo central de projetos públicos para toda a região.
Junto com tudo isso a imprensa perdeu a capacidade de modular os debates num nível acima do mediano. Deixou-se apequenar à medida que passou a se interessar mais pela mesquinhez dos políticos componentes da Câmara do que pela alta política, ou o que ela deveria ser, que é o desejo da população.
Sem por ênfase, nem mesmo mencionar, que os problemas políticos locais são uma consequência da mão de ferro com que são controlados os vereadores pelos caciques, a imprensa não vai ao ponto central  do problema.. Ficando apenas em lateralidades e questões menores. Trata mais das consequências do que da causa.
Sem mencionar que o preço absurdo de uma campanha a vereador apenas permite vitória àqueles que receberem a benção do cacique, deixa de discutir um dos problemas górdios da corrupção. Ou seja, os candidatos em sua maioria já tem preço mesmo antes de ganharem. Sem mencionar o preço de uma campanha para vereador (e, portanto, não discutir financiamento público de campanha) deixa de dizer também que o centro dos problemas na política municipal não são os partidos pequenos, “nanicos” segundo os jornais, mas os grandes. Os únicos possuidores de dinheiro, mandados pelo cacique, para pagar a conta. E pagando a conta controla a política e os políticos.
Não é por outra razão que os “nanicos” já estão “comprados” desde o ano passado. Afinal, ou se vendem à campanha majoritária ou não possuem dinheiro para participarem da eleição. Acusar os “nanicos” de querer dar um “golpe” para emplacar 23 vereadores é desconhecer que quem mais tem condições de colocar novos vereadores são os mesmos partidos grandes de sempre. Os que têm dinheiro para isso.
O que está em questão aqui é o fato de que não é mais possível esconder o paradoxo. A política em Rio Preto se transformou numa atividade corporativa/empresarial/particular praticada pelos partidos grandes que possuem dinheiro para financiar quem eles escolhem para ganhar a eleição. Os “nanicos” são apenas franjas desimportantes nesse pano, usados em todos os casos apenas para inflacionar um pouco o tempo de TV, dos grandes.
Não falar sobre isso é não falar nada. Dizer que 17 é melhor do que 23 é apenas fazer o jogo dos partidos grandes que são quem manda no legislativo a mando do Executivo. Com 17 ganham os grandes e com 23 eles ganham também. Simplesmente por que não é o numero a questão, é o modus operandi da política municipal, de resto no país todo.
A razão pela qual a imprensa nada fala sobre tudo isso eu não faço ideia.
Luciano Alvarenga, sociólogo
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