Eleição em Rio Preto, primeiras impressões

Entre o passado e o presente

Os atores mais importantes dessas eleições já ocuparam seus lugares no palco ou dele saíram. O resto são detalhes que apenas acrescentam, mas nada mais modificam.
Digo isso não apenas pensando em termos de capital eleitoral, pois nesse sentido a posição de Manuel Antunes é algo importante. Mané não é mais um candidato, é o mais importante cabo eleitoral da eleição.
O que está em jogo em Rio Preto é Valdomiro e Rillo. Para usar uma terminologia antiga, o velho e o moço. O passado e o presente. O conhecido e o que deseja se fazer conhecer. O de quem nada mais se espera e o de quem esperamos irrequietos.
Rio Preto tá transformada, mudada, modificada, não é mais a bela cidade dos grandes lagos, continua bela, mas agora tem algo mais que não sabemos bem o que é nem o que será daqui a pouco.
Paradoxalmente a cidade tem mais daquilo que sempre teve. Como já disse em outro texto, “Rio Preto é uma ótima cidade, do século XX”. É isso, é boa, mas não é o que tem que ser. É como “O Cerejal” de Tchekhov. Lindo, soberbo, grandioso, mas indicando mais o passado do que o presente, mais as glórias de antes do que as necessidades de agora.
Rio Preto é isso, uma cidade que urge estar no presente. Tudo nela e o que mais gostamos nos remetem ao passado. Até o que ainda quer ser no futuro já não vale mais apena querer ser. O futuro chegou a Rio Preto antes que Rio Preto chegasse ao futuro. A cidade precisa adequar sua bússola para novos nortes.
Os nortes de hoje são melhores do que os de ontem, ainda que não nos pareçam sê-lo, não apenas por que de hoje, mas por que os de ontem estão esgotados, saturados, obsoletos. Se engarrafamento era progresso na cabeça dos de ontem, na cabeça dos de hoje até a ideia de progresso já é atraso.
Na política de Rio Preto nada mais é possível de ser como outrora. O melhor que se faz agora é o melhor que já fizeram ontem. As ruas bem asfaltadas não incomodam pelo muito que dizem sobre o passado, mas angustiam pelo quase nada que dizem sobre o hoje.
Rio Preto é um canteiro de obras de ontem. Mas sobre as obras de amanhã nada se fala. Rio Preto não é mais bela quando a beleza não é aquilo que é mais aquilo que precisa ser. Belas ruas quando muito ligam lugares, sonhos conectam pessoas e possibilidades.
A política em Rio Preto não sonha e por isso vive dormindo. Precisamos acordar para poder sonhar. Rio Preto não precisa de mais nada para ser tudo o que quiser ser. Mas nada será se continuar a ser o que não deve ser mais. 
Rio preto é o resultado do que aprendeu a ser ao se tornar o que é. Precisa agora ter coragem de conectar o que é com o que precisa ser.
Rio Preto precisa deixar de ser um lugar e ser um caminho, deixar de ser uma cidade do passado e ser uma ideia do presente. Luciano Alvarenga
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