Trânsito: a mentira da Prefeitura de Rio Preto

Diário da Região

Trânsito admite caos e fala em novo estudo

Jocelito Paganelli


Guilherme Baffi
Diário flagra passageiros, adultos, crianças e idosos, viajando em pé, em carros superlotados: revolta de quem depende do transporte

O secretário de Trânsito e Transporte de Rio Preto, Afonso Carmona, admitiu ontem o fracasso do novo sistema de transporte coletivo, em operação desde novembro de 2011, e disse que o caos deve continuar pelo menos até agosto, prazo que será dado para as concessionárias se adaptarem.

Em audiência pública da Comissão de Cidadania da Câmara, o secretário afirmou que os problemas de superlotação e a falta de acessibilidade nos ônibus, além da demora no transporte dos passageiros, vai continuar. “Estamos no começo de um sistema novo, que vai ser adequado”, justificou o secretário.

Carmona admitiu também que a Prefeitura vai pagar mais R$ 360 mil para a empresa Logitrans, de Curitiba, repetir o estudo já feito por ela em 2010, e que deu origem ao edital da concessão do novo sistema de transporte. Na ocasião, a Logitrans recebeu R$ 138,6 mil para projetar as novas linhas de ônibus e apontou a necessidade de linhas “perimetrais”, que não passam pelo Centro da cidade, e transportam passageiros da zona norte para os condomínios Damha e para o Distrito Industrial.

Ontem, o secretário reconheceu que o estudo antigo pode estar defasado e que o novo estudo, que teve início em 2012 e vai consumir R$ 360 mil dos cofres públicos, apontou novamente a necessidade das linhas “perimetrais” que elas entrarão em operação na quarta-feira (dia 25).

De acordo com Carmona, o novo estudo já indicou a necessidade de aumento na frota de ônibus do sistema de transporte, que atualmente é atendido por 240 veículos. “A empresa (Logitrans) terá até o mês de maio para informar a quantidade de ônibus novos que serão necessários para atender a demanda de passageiros. Na sequência daremos prazo até o mês de agosto para as concessionárias (Santa Luzia e Itamarati) comprarem os novos veículos”, disse.

Até o mês de agosto os usuários do sistema de transporte continuarão enfrentando problemas de superlotação e demora nas viagens. Durante a audiência, o secretário de Trânsito e Transporte foi interpelado por Marco Rillo (PT), Alessandra Trigo (PSDB), Pedro Roberto (Psol) e populares que acompanhavam a reunião.

Thomaz Vita Neto
Carmona anunciou realização de novo estudo para definir compra de mais ônibus e criação de linhas

Demanda

Carmona afirmou que o uso de ônibus sem acessibilidade pelas concessionárias é uma “colaboração” da Santa Luzia e Itamarati para não deixar passageiros a pé. Ele afirmou que os 240 veículos previstos no edital não são suficientes para atender o novo sistema de transporte, porque houve aumento da demanda passageiros.

Ele não soube dizer porque o estudo subdimensionou a demanda de Rio Preto
“Houve sim (o uso de) ônibus sem equipamento de acessibilidade, mas as empresas não descumpriram os contratos (de concessão). As empresas colaboraram para os passageiros não ficarem sem transporte”, disse o secretário.

Contradição

Com o início do novo sistema de transporte, o valor da tarifa de ônibus caiu de R$ 2,43 para R$ 2,10. A diferença de R$ 0,33 de cada passagem é paga pela Prefeitura às concessionárias como subsídio. Os valores desse subsídio repassados nos últimos meses revelam que não houve aumento no número de passageiros.

Em novembro e dezembro de 2011 a Prefeitura pagou R$ 1,5 milhão em subsídio às empresas de ônibus. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2012 esse valor caiu para R$ 1,4 milhão, revelando que menos passageiros utilizaram ônibus.

Guilherme Baffi
Passageiros, obrigados a viajar em pé, nas escadas, se espremem para chegar ao trabalho

Diário sente na pele problemas

Lotação, aperto, estresse, criança dormindo no chão e falta de respeito. Estes são alguns dos dilemas enfrentados todos os dias por passageiros que dependem do transporte coletivo rio-pretense, principalmente nos horários de pico, das 6 horas às 8 horas e à tarde, das 17 horas às 19 horas. Por dois dias, a reportagem do Diário se juntou aos milhares de rio-pretenses que têm no transporte coletivo seu meio de transporte e sentiu na pele o sofrimento imposto a homens, mulheres, crianças e idosos.

A lotação em alguns casos é tamanha lotação que, em determinados pontos, passageiros que estão próximo às portas têm de descer do coletivo para que outros consigam desembarcar e minimizar o empurra-empurra. Estudantes, trabalhadores e aposentados se espremem como podem e tentam equilibrar-se diante de algumas valetas e “freadas” bruscas.

A doméstica Ivone Galati, 59 anos, é uma entre vários passageiros que segue em pé no miniônibus que faz a linha da Boa Vista. “Para ser sincera, não vejo a hora de me aposentar e não enfrentar mais esta situação. De segunda a sexta-feira, de manhã e de tardezinha é este problema”, diz a doméstica, que informou que o transtorno é principalmente de manhã, devido o trajeto estar sendo feito por um miniônibus.”

No mesmo ônibus, a operadora Regina Moura da Silva, 40 anos, que enfrenta o problema da superlotação todos os dias com seus filhos, de 7 e 10 anos. Ele diz que “antigamente” essa linha tinha um ônibus maior e sem tantos problemas. “Mas agora está difícil. Colocaram o miniônibus e ficou muito complicado. Isso é uma vergonha, merecemos um transporte com mais dignidade”, reclama.

Outra passageira que preferiu identificar-se apenas como Rose, fez um apelo ao prefeito Valdomiro Lopes (PSB). “Convidamos o prefeito Valdomiro Lopes, para ele nos acompanhar em uma viagem até o terminal rodoviário, inclusive faço questão de pagar a passagem dele.”

O problema vai além do aperto, como relata a doméstica M.A.V., 54 anos, que utiliza diariamente a linha Tarraf 2 “Como não se bastasse o ônibus lotado, ainda existem engraçadinhos que tentam tirar aproveito desta situação e ficam encostando, é uma falta de respeito.”

Quando questionada se houve melhoras nos transportes com a entrada do novo sistema a resposta é imediata “Só piorou. Mudanças só nas cores dos ônibus e nos uniformes dos motoristas, o descaso continua o mesmo, se bobear esta até pior”.Muitos passageiros relataram que motoristas costumam “cortar” linha ou pular ponto, já que os carros estão cheios.
(Colaboraram Alex Pelicer e Franklin Catan) 

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