PMDB avança em São Paulo

Chalita e a oposição a Kassab

Por Gustavo Belic Cherubine
Do Valor Econõmico
Autor(es): Por Cristiane Agostine e Caio Junqueira | De São Paulo e Brasília
Valor Econômico – 10/02/2012
A pré-candidatura de Gabriel Chalita (PMDB) na disputa pela Prefeitura de São Paulo deverá ser a principal oposição ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) nesta eleição. O PMDB considera a eleição municipal na capital paulista tão importante quanto a sucessão presidencial para consolidar o partido no país e espera fazê-lo contrapondo-se ao prefeito. A negociação com o DEM está avançada e, se confirmada, deverá reforçar o discurso crítico ao prefeito.
A avaliação do PMDB é que, caso se concretize a aliança entre PT e PSD, os petistas terão o discurso contra Kassab esvaziado, apesar de o partido ter feito oposição ao prefeito durante os dois mandatos dele. O acordo entre PT e PSD permitiria a imediata polarização da campanha com a máquina do governo municipal e, consequentemente, daria a Chalita a possibilidade de ser o candidato antigoverno municipal, já que Kassab estaria representado na chapa de Fernando Haddad (PT) e o PSDB na outra aliança.

p>A indefinição sobre o candidato do PSDB coloca em xeque o discurso a ser apresentado pelos tucanos na disputa municipal. Na avaliação da cúpula do PMDB, se o candidato for o secretário estadual Andrea Matarazzo, ligado ao ex-prefeito e ex-governador José Serra (PSDB), a crítica ao prefeito também poderá ser esvaziada. Kassab foi vice na chapa de Serra, na disputa municipal de 2004, e assumiu em 2006, quando o tucano deixou o cargo para disputar o governo estadual.

Diante da crescente pressão petista para que o PMDB desista da candidatura à prefeitura, o presidente nacional licenciado do partido e vice-presidente da República Michel Temer decidiu intensificar sua atuação em favor de Chalita. Fará, assim, dois movimentos para não deixar dúvidas de que a candidatura é para valer.

Primeiro, vai convencer o vice-presidente da Caixa Econômica Federal e principal nome da legenda na Bahia, Geddel Vieira Lima, de que é melhor recuar da candidatura própria em Salvador e apoiar o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), favorito nas pesquisas.

Isso facilitaria levar o partido para a candidatura Chalita, com direito até mesmo a indicar o vice, que seria Alexandre de Moraes, o ex-supersecretário de Kassab, hoje com ele rompido politicamente. Temer, porém, não quer vincular um apoio a outro, uma vez que entende que isso pode estancar as negociações nos dois lados.

Em outro movimento, pretende levar Chalita para uma viagem ao exterior em março. Juntos, iriam proferir palestras no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O deputado também aproveitaria a ocasião e se reuniria com o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani e com o atual, Michael Bloomberg. Em ambas ocasiões, seriam gravadas imagens para o horário gratuito de televisão.

O cenário ideal para os articuladores da campanha de Chalita é ter um tempo de televisão semelhante ao que Kassab teve em 2008. A aposta é que isso será possível com a coligação em formação: PMDB, PTB, PSC, PDT e DEM. O primeiro passo nesse sentido já foi dado, após o acerto com o PSC, que será anunciado oficialmente hoje, em um evento com a presença de Temer. A aliança com o PSC deve aumentar em um minuto o tempo de televisão de Chalita, fazendo com que o pemedebista passe a ter cerca de cinco minutos no horário eleitoral gratuito, o maior tempo de TV por enquanto. A aliança com o PSC é importante também para atrair o apoio de evangélicos.

Com PTB e PDT há avanços, dentro de uma estratégia usada pelo PMDB de atrair os insatisfeitos com a presidente Dilma Rousseff. O PTB virou alvo nos últimos dias, com as denúncias na Casa da Moeda. O PDT há tempos aguarda uma definição no Ministério do Trabalho e o presidente nacional da sigla, Carlos Lupi, saiu contrariado do comando da Pasta.

O parceiro preferencial, contudo, é mesmo o DEM. A negociação com Alexandre de Moraes, presidente do diretório municipal e possível vice de Chalita, e com Jorge Tadeu Mudalen, presidente do diretório estadual, tem avançado. A aliança entre PMDB, DEM e PSC poderia garantir a Chalita o maior tempo de TV entre os candidatos, cerca de oito minutos, nas contas do PMDB. A resistência, em São Paulo, vem do secretário estadual Rodrigo Garcia, que lançou sua pré-candidatura nesta semana.

Só que para o DEM integrar-se, além de conversas com Geddel, é preciso esperar a definição do PSDB, do PT e de Kassab. Temer tem dito a aliados que aposta em dois cenários: Serra não ser candidato e Kassab fechar aliança com o PT.

Trata-se, segundo ele, do melhor dos cenários. Sem Serra, o nome mais conhecido dos paulistanos estará fora da disputa e em seu lugar entra o pré-candidato favorito nas prévias: o serrista Andrea Matarazzo. Segundo o PMDB, é ele quem lidera o embate interno tucano e mais tem trabalhado para se viabilizar. Conta, para tanto, com o apoio dos também serristas, o ex-vice governador Alberto Goldman e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).

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