Corrupção é o fruto podre da árvore da felicidade material

Presunção de inocência ou crimes impunes?
Luciano Alvarenga
O mais novo escândalo em andamento na praça é a acusação levantada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte contra o procurador municipal da prefeitura de São José do Rio Preto, o senhor Luis Tavolaro. Ao mesmo tempo os vereadores, sem que ainda que se saiba quais, estão sendo acusados pelos vereadores Marco Rillo e Márcio Sansão por integrarem um esquema para incorporação de áreas rurais ao perímetro urbano que interessaria a incorporadoras e empresários da área de construção, loteadores e outros. A acusação é: empresários pagam e os vereadores recebem.
Antes que alguém diga, digo eu, são todos inocentes até que se prove que são culpados. Os casos de corrupção em todos os níveis de poder são tantos e tantos e diversos são os casos que talvez fosse interessante perguntar se não são todos culpados a menos que provem que são inocentes. O Conselho Nacional de Justiça investiga juízes envolvidos com grilagem de terras no Nordeste e no Mato Grosso, Bahia e Goiás. Como esperar que a justiça investigue e puna se também ela faz parte dos esquemas de corrupção. O problema é mais fundo.
Por que trabalhar se podemos roubar, por que poupar se podemos corromper, por que ser honesto se honestidade não compra carro do ano, por que não fazer se todos fazem quando podem? Por que um pouco se posso ter tudo, por que não corromper se corrompendo enriqueço, ganho respeito e poder. Quando nos anos 1970 Adhemar de Barros inspirou a frase pela qual ficou conhecido “rouba, mas faz” sem saber inaugurava um tipo de política que passou a ter no obrismo a nervura da corrupção com dinheiro público.
Rouba, mas faz e fazendo pode roubar mais. Não dá para imaginar que cada rua, cada casa, cada obra feita na cidade e no país não esteja eivada da podre corrupção. Belo Monte, a usina que se quer construir no norte do país tem mais que um problema ambiental, pode ser o maior caso de corrupção com dinheiro público nas últimas décadas. Aliás, segundo engenheiros ambientais, a obra foi ventilada para poder gerar, não energia, mas corrupção.
O problema é ético. O problema é que no bordel ninguém pode reclamar de falta de pudor de outrem. A sociedade está corroída pela corrupção dos valores e a cada dia que passa consideramos mais oportuno viver com os ganhos da corrupção. De repente o procurador do município de Rio Preto é acusado de estar envolvido com um esquema de corrupção no Rio Grande do Norte que inclusive o prefeito de São Paulo também está. Ou seja, a corrupção não é exceção nem algo ligeiro que acontece vez ou outra. Trata-se de uma sociedade toda em que todos corrompem a medida de suas possibilidades.
E quem na possibilidade de corromper e não corrompe, acredite existe estes casos, e por que não corrompe não ostenta os ganhos provenientes do assalto, logo é visto como incompetente. Ora, ninguém em cargos eletivos ganha mais de 20 mil reais, embora um valor alto não é alto ao ponto de produzir o tipo de vida nababesco em que grande parte da classe política vive. Entretanto, políticos que não roubam não ostentam e esse é o problema. Como saber se é um grande político se não posso vê-lo? Numa sociedade de reconhecimento material só podemos reconhecer o honesto pela riqueza que ostente, e se é rico provavelmente não é honesto. Como disse certa vez Renato Russo, roqueiro conservador nas palavras do historiador Lelé Arantes, “no Brasil não é possível ficar rico sem roubar”.
Para ir preso só se tiver fotografia e filmagem, é o caso do ex governador do distrito federal José Roberto Arruda. Caso contrário, são todos inocentes até que se provem serem culpados, mas quem provará se juízes cada vez mais estão até o pescoço metido em corrupção, venda de sentenças e outras tantas coisas tristes?
O caso de Rio Preto é assustador. Primeiro por que não passa mês sem que novos casos surjam. Agora o homem forte do prefeito Valdomiro Lopes emerge de um esquema que envolve políticos de alta patente do centro do poder paulista. Estou certo de que a corrupção é o fruto podre da árvore da felicidade material. Uma sociedade que cultiva ter mais do que ser, e embora tal afirmação seja quase ridícula num mundo corrompido pela imagem das coisas, o fato é este mesmo.
Tenha, não seja. Corrompa, não trabalhe. Pareça, não faça. Finja, não acredite. Minta, não realize. Entorpeça, não seja são. É tudo imagem. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

Operação no RN ecoa em SP

Por João Maria Fernandes de Sousa
Da Tribuna do Norte

Procurador de São José do Rio Preto coloca cargo à disposição após investigação do MP/RN

Marco Carvalho – repórter

O procurador-geral do município de São José do Rio Preto, Luiz Antônio Tavolaro, colocou o cargo que ocupa à disposição do prefeito Valdomiro Lopes. Tavolaro viu seu nome ser envolvido na operação Sinal Fechado, do Ministério Público do Rio Grande do Norte. “Não vou discutir isso antes de falar com o prefeito. O cargo é dele. Ele dá e ele tira. Eu pretendo provar e vou provar que não tenho nada a ver com essa organização, que fez esse negócio”, afirmou o procurador ao jornal Diário da Região, em São José  – interior de São Paulo.

h3 class=”titulo_noticia” style=”text-align: justify;”>O jornal Diário da Região relata que em conversa com o prefeito, por telefone, na última sexta-feira, Tavolaro disse que deixou o chefe do Executivo municipal à vontade para exonerá-lo. “Vou provar minha inocência”, afirmou. O procurador declarou já ter vindo ao Rio Grande do Norte recolher documentos que possam livrá-lo da acusação do Ministério Público Estadual.

“Estava atrás de tudo e fui até o Rio Grande do Norte. Já fui e voltei. Estou tentando entender toda essa história por ser uma coisa muito antiga. Estou tentando entender efetivamente o que aconteceu, ler os documentos. Tive de conseguir coisas lá no Rio Grande do Norte”, afirmou Tavolaro. “Tem um monte de nome que não conheço. Não conheço governador, não conheço nada”, disse ele ao Diário da Região. 

Para o MP/RN, o advogado paulista Tavolaro participou ativamente do esquema supostamente criminoso. O procurador-geral teria envolvimento com a elaboração da lei estadual que regulamentou a inspeção veicular ambiental no Rio Grande do Norte.

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3 respostas em “Corrupção é o fruto podre da árvore da felicidade material

  1. Lamentável que pessoas bem informadas, como deveriam ser os profissionais da área jurídica, demonstrem tamanha leviandade. A presunção da inocência não é o primeiro mandamento do Direito? Pois saibam os fariseus de plantão que até hoje – passados dois anos do início das investigações pela Polícia Federal e Ministério Público – não foi apresentada denúncia contra o ex-governador Arruda. Por que isso? Pela simples razão de que as imagens dele recebendo dinheiro do delator Durval Barbosa são de 2005, época em que sequer cogitava ser candidato a governador, e que o citado dinheiro foi devidamente declarado à justiça eleitoral. Onde o crime? Só na cabeça de pessoas desinformadas ou de má fé… Quanto à decisão do Tribunal de Justiça do DF, é cristalina e repõe a verdade dos fatos: à época em que Jaqueline Roriz recebeu dinheiro de Durval Barbosa, o governador era Joaquim Roriz, seu pai, e Durval pertencente ao primeiro escalão do mesmo governo. Jaqueline e Roriz eram adversários de Arruda e apoiavam a candidata adversária deste, Maria de Lourdes Abadia, conforme qualquer menino dos subúrbios da capital pode atestar. Como, então, dizer que essa operação foi feita a mando de Arruda (acusação que originou o bloqueio de seus bens)? Parece que os tentáculos do PT chegaram, mesmo, ao mundo jurídico!

  2. Pois é, informações difíceis de confirmar. De qualquer maneira Arruda não é novo numa seara dessas. Brigas do poder. Me fez lembrar de um ditado estranho, mas interessante. "Eu não sei por que estou batendo, mas vc deve saber por que eta apanhando".

  3. É professor a voz do outro lado.O mais importante das corrupções explícitas é, cadê o dinheiro do povo?Agora sobre a defesa acima e a justificativa da justiça eleitoral, há pessoas que não possuem uma bicicleta e doam a bagatela de 150 mil a partidos políticos. Isso talves explique alguma coisa.

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