Os bandidos também somos nós


Andava por um supermercado, destes grandes, quando comecei a prestar a atenção na quantidade de produtos que estavam com trava antifurto. É uma infinidade de produtos com este dispositivo. Lembrei-me disso agora, por que acabei de voltar da barbearia onde fiquei ouvindo o velho e desgastado discurso de que político não presta e quem presta e mexe com política passa a não prestar também.

“Político é tudo ladrão”. Ora, os supermercados ao instalarem travas antifurto nos produtos estão se precavendo dos políticos? Os vasos de flores colocados pelo dono da barbearia em frente ao estabelecimento e que foi roubado na mesma noite em que ali havia sido colocado, foi roubado por políticos?

As pessoas que param seus carros em vagas de idosos e deficientes físicos, embora não se encontrem nestas condições, por acaso são políticos? Funcionários públicos e particulares que usam os carros oficiais da prefeitura, do Estado, ou da empresa para serviços particulares, por acaso são políticos?

Ouvi ainda, “faz 30 anos que eu voto, nada muda”. Alguém realmente acredita que nada mudou nestes 30 anos? Por acaso não passamos pelas Diretas Já e a transição para a democracia, pelo impedimento do Collor, pela estabilidade monetária, pelo respeito a transição no poder, pelas políticas sociais que retiraram neste último período eleitoral milhões de pessoas da miséria? Por acaso não temos um presidente com 80% de aprovação e que se recusou a manipular as regras para obter um terceiro mandato? Isso é inédito na América Latina!

Creio que precisemos agora é darmos um salto em termos culturais. A malandragem presente na cultura brasileira e que talvez explique os roubos em supermercado, para ficar em apenas um exemplo, precisa dar lugar a uma sociedade mais honesta consigo mesma. Isso significa pararmos de fazer esta transferência psíquica de nossos defeitos para os políticos, como se fôssemos uma sociedade de anjinhos manipulados e usados pela classe política. Aquela parte bandida na política corresponde em igual número os bandidos presentes na sociedade de uma maneira geral. Luciano Alvarenga
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