Pelos intestinos da vida

Aneci – direto de Portugal

Sinto-me incapaz de comparar. Ainda mais quando as diferenças são gritantes.

Durante o dia o Sol cega-me a vista, assim como a de todos os outros que olham para o Céu. E não se vê nada além da poderosa luz incandescente que dele irradia.

À noite, muitas vezes tímida, a Lua aparece no Céu com o mesmo esplendor do Sol. Porém mais altruísta, permite que outras estrelas brilhem ao seu lado, que outros planetas passam ser vistos no mesmo palco em que se apresenta. Chega até a sair de cena para manter a exclusividade a favor de outrem.

Minha forma poética e polianica de ver o mundo.

E assim comparo um motorista de táxi que se acredita melhor condutor que os demais e mais merecedor das ruas, para além de ter o direito de ser contraventor da regras de tráfego. Comparo a mãe ou o pai que vai buscar o filho na escola e pára em fila dupla ou até tripla. Também deve imaginar que por ser mãe ou pai pode desobedecer leis de trânsito.

Há mais. Muito mais.

Comparo um transeunte qualquer a deitar ao chão um papel de rebuçado ou um resto de tabaco por preguiça de ir à lixeira mais próxima. Ou por estar prestes a subir no autocarro.

E quando entro no supermercado e vejo uma fila enorme no caixa e a atendente a sorrir e manter a humor inalterado mesmo após ouvir queixas e piadas machistas.

Sem contar quando a porta do elevador se abre e as pessoas que estão fora não esperam as que estão dentro saírem. Afinal, se a preferencial não for de quem sair, como é que haverá lugar para mais alguém entrar? E não é somente nos elevadores. Bom lembrar que essa regra básica é para rotundas, transportes públicos, portas de centros comerciais, igrejas, passadeiras, acho que não preciso listar todos os sítios onde a preferencial é para quem SAI.

Até meus filhos eu comparo. Um gosta de pintar e o outro de pulzzle; um gosta de cozinhar e o outro prefere comer; um sua com o pai o outro tem frio como a mãe; um tem cabelos ondulados e o outro cacheado.

Comparar faz parte de um processo de observação.

Mas a minha grande filosofia do momento é a África do Sul. A África onde Gandhi iniciou a sua concientização política. Sítio este onde Gandhi olhou e viu um povo a sofrer pelo preconceito. E aprendeu com o que viu e julgou e manifestou-se de uma forma que será lembrada até o suspiro do último homem na face da Terra. (Um pouco mais poético).

O mesmo sito onde está hoje o famoso líder sul africano Nelson Mandela a incutir nas pessoas um ideal de paz através da tomada das armas.

Enquanto Gandhi fez a marcha do sal, seguido por homens, mulheres e crianças e quais quer outros quer eram capazes de andar, pacificamente cruzaram a Índia. Por onde passou houve quem o seguisse.

Actualmente Mandela sugere que se armem e se revoltem para que o povo seja livre. Esquecendo que a África do Sul, assim como o mundo, já não é mais um país de raça pura. Como cada país da Europa já não é ou como o Brasil nunca o foi.

Induz um povo mal-educado, sem cultura para entender a “boa intenção”, a matar outro sul-africano por não ser da mesma cor da sua pele: negro. Esquecendo que o não negro, nascido e criado na África do Sul também é sul-africano.

Não me admira que tantos negros estejam a se espalhar pelo mundo a fugir de seus países. Uns por oportunidade de trabalho e vida digna para seus filhos e outros por não se adaptarem ao ideal de violência pregado por um líder que já foi galardoado com o prémio Nobel da Paz.

Ironia do destino, Gandhi nunca foi nomeado para receber prémio que reconhece o valor dos que tanto lutam pela por ela: o Nobel da Paz

Talvez minha comparação seja leviana e Nelson Mandela não seja comparável a Gandi.

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