Europa: as realidades da imigração

Aneci, correspondente do Blog directamente de Lisboa

Xenofobia

O povo português tem uma história de lutas e de conquistas que muito poucos povos tem.
A começar pela triunfante resistência ao Império Romano nos idos de 140 a 70 a.C., seguidos e perseguido por batalhas por defesa e conquistas de territórios.
Portugal colonizou em diferentes escalas: Brasil, Africa do Sul e China.
Lembrando que a colonização é sempre uma luta por um território já ocupados por nativos.
Como diz o meu filho: “o Brasil não foi descoberto pelos portugueses. Os índios já moravam aqui. Eles é quem descobriram o Brasil.” E ele não deixa de ter razão. Razão essa que custou-me ser chamada na escola para explicar o que eu ensinava em casa…
Na modernidade Portugal tem emigrantes no Canadá, Reino Unido, Austrália, Alemanha, França, Espanha, África , Macau (China), India, Brasil, Venezuela, Suiça, Argentina, Belgica, Holanda, Andorra, India, Itália e Japão.
E hoje em dia recebe imigrantes de suas antigas colônias.
E como um país xenófobo que é, que não sabe viver com as diferenças, acaba por discriminar brancos, pretos, amarelos e vermelhos.
E não é por menos. Afinal os imigrantes, em qualquer país do mundo, busca melhores condições de vida. E quem sai do Brasil, Sul de África ou China não é diferente.
A Europa encanta as sociedades mais pobres e vende ilusão da felicidade e da facilidade. Como a velha e conhecida história da “América das oportunidades”…
Mas o pior está por vir.
Como não há barreira linguistica, qualquer um que fale português, bem ou mal, consegue cá chegar.
Daí você pode imaginar que tipo de imigrante tem por cá?
Quem teve uma educação mínima e fala algum idioma: inglês, francês, alemão ou espanhol, não olha para Portugal como um país de oportunidades. Imaginando que uma pessoa com educação que queira evoluir, buscaria sítios outros que não Portugal.
Logo que cheguei fui apresentada a uma advogada portuguesa cujos pais foram imigrantes em França onde ela passou a infância. E a primeira frase que me disse foi: “ as brasileiras que vem para cá ou são dentistas ou prostitutas”.
E realmente tem sido assim, mas não somente com as brasileiras, rss.
As ucranianas, por não falarem o idioma, são prostitutas ou então trabalham nas limpesas.
Os Chineses recebem o quinhão de chinocas. Os indianos de monhés. Os africanos de pretos. Os brasileiros de brazuca. E não são formas carinihosas de falar. Antes são formas pejorativas.
Na primeira reunião festiva do trabalho do meu marido tive outra decepção com a recepção tuga.
Sentamo-nos em uma mesa com 8 lugares. E todos começaram a conversar quase que ao mesmo tempo. E como já se conheciam tinham muitos assuntos em comum.
Fui apresentada ao grupo como esposa do gerente Cláudio Fernandes e mantive-me a observar sem ter opnião sobre os assuntos que ali circulavam. Mas ocorreu o fatídico momento que qualquer recém chegado espera: um assunto que conheça. Aí eu abri a minha bocarra brazuca e teci um comentário qualquer.
Senti os olhares fulminantes voltarem-se para mim e de repente, aos poucos e com muita discrissão, um a um foi se retirando da mesa e fiquei sozinha.
E para fazer entrevista então?
O primeiro passo é conseguir agendar uma. Pois logo que ouvem o sotaque brasileiro a resposta é imediata e instintiva: a vaga já foi preenchida.
Durante a entrevista para a minha área, sou enfermeira, a conversa gira no seguinte ponto: “ a senhora não tem experiência em Portugal, então será difícil de contratá-la”.
Mas ainda assim alistei-me na Cruz Vermelha Portuguesa como voluntária. Aí já não preciso de treinamento e já posso começar imediatamente pois sou enfermeira.
É uma pena!
Salvo lá, como se diz aqui, o pessoal mais intelectual! Claro que toda regra tem excepção e a minha turma da pós graduação é constituída por portugueses. E parece q eles me adoram… Ao menos trocamos boas impressões, sou recebida nos ciclos de debates e conversas e até fui eleita representante da turma!
Em Lisboa, Porto e Coimbra, que são cidades mais densamente povoadas, a xenofobia é vista e sentida por toda parte. Em algumas regiões com aglomerações de brasileiros, negros ou indianos, o índice de criminalidade é maior. Chega a equiparar-se com os sítios habitados por ciganos, outra raça que faz por merecer a xenofobia.
Os Chineses sofrem com o idioma mas são persistentes e determinaddos e os que se empenham chegam a falar melhor a portuguesa que um nativo.
Mas isso se dá língua apenas para os residentes, ou seja, imigrante.
Os turistas são bem vindos pois deixam o dinheiro por cá e voltam cada qual para a sua terra. E a economia local gira, a roda gira e o mundo gira.
Aneci. Muito bacana o texto. Aliás, aos visitantes desse sitio, Aneci estará escrevendo regularmente sobre coisas, fatos e sentimentos dos tugas, brasucas, chinocas e todos os outros . L.A
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Uma resposta em “Europa: as realidades da imigração

  1. Quando estamos em terra nativa não percebemos o quanto somos taxativos com os estrangeiros pois já estamos imersos na nossa condição de "dono do pedaço", porém, quando vamos para fora de nosso país, ficamos bem atentos a tudo.Luciano, parabéns pelo blog.Patrícia Fagundes, estudante do 2ºJN Unilago(Esposa do Robson haha)http://patriciafagundes.zip.net/

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