Esse é o produto que a VEJA vendeu como novo

Edição 2121 / 15 de julho de 2009

Ele deu a volta por cima
Depois de amargar uma imensa rejeição provocada por medidas de austeridade, o governador do Distrito Federal diz que é possível ser popular sem ceder às tentações do populismo.

Qual é a reforma política que o senhor defende?

É preciso ter apenas cinco ou seis partidos que representem os diversos espectros ideológicos, como em qualquer país civilizado. A partir daí, é necessário ter coerência entre as legendas e seus programas, ter fidelidade partidária e verticalização. No ano que vem, as alianças da eleição nacional serão totalmente diferentes das regionais. Aí acontece o seguinte: o sujeito ganha a eleição para presidente e não sabe com qual base política e legislativa contará. E como é que ele constrói a maioria? Com fisiologismo, com práticas políticas pouco ortodoxas.
O senhor está dizendo que o que se passa hoje no Senado é culpa do modelo, e não dos políticos?Os problemas éticos nas casas legislativas são facilitados por uma legislação política e administrativa totalmente atrasada e incompatível com o momento político que o Brasil vive. As estruturas administrativas são muito arcaicas. A máquina pública é um elefante. Come muito, custa caro e é lerda. Isso vale para o Senado e também para o meu governo. Se a máquina pública brasileira vivesse de resultados, já estaria em concordata há muitos anos. Os políticos fazem parte dessa máquina.
É possível governar sem fisiologismo?

É quase impossível. O fisiologismo está entranhado de uma maneira tal na cultura política brasileira que, hoje, a única diferença entre um governante e outro é o limite de tolerância e flexibilidade em relação a essa prática. É hipocrisia não reconhecer que todos os governos, literalmente todos, praticam certa dose de fisiologismo.
E qual é o seu limite?

É o limite ético. É não dar mesada, não permitir corrupção endêmica, institucionalizada. Sei que existe corrupção no meu governo, mas sempre que eu descubro há punição. Não dá para entregar um setor de atividade do governo para que um grupo político cuide dele por interesses empresariais escusos. Se peço a um parlamentar eleito para me ajudar a administrar sua base eleitoral, isso é política. Mas, se entrego a esse parlamentar a empresa de energia elétrica, isso não é aceitável. Quando me pedem algo assim, eu aproveito que tenho cara de bobo e finjo que não entendo. Alguns passam para a oposição, mas a maioria continua me apoiando entre aspas e esperando o primeiro momento para me pegar na curva. O problema é que se você entrar nesse jogo não consegue sair mais.
“O fisiologismo está entranhado na política. A única diferença entre um governante e outro é o limite de tolerância em relação à prática. É hipocrisia não reconhecer que todos praticam fisiologismo”
Esse diagnóstico também se aplica ao governo federal?

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