A cidade sou eu

O grupo político que chegou ao poder Executivo em 2008 na cidade de Rio Preto, representado por Valdomiro Lopes, amargou três fragorosas derrotas, 1996, 2000 e 2004. Perdeu em 1996 e em 2000 para nomes novos ou que representavam novas coisas e idéias; Liberato Cabloclo e Edinho Araújo. Deste último aquele grupo político perdeu duas vezes seguidas.
Rio Preto é uma cidade em transformação permanente, ainda que sua alma e cultura pouco mudem. Cidade à beira da estrada, encruzilhada de muitos caminhos, convive sempre com aquilo que é com aquilo que gostaria de ser. A frente deste pano de fundo há sempre o embate entre o velho que resiste e o novo que procura emergir.
Nas últimas eleições este embate, às vezes de forma mais velada, outras menos, o velho e o novo se encontraram. Em 12 anos a promessa do novo e as perspectivas por ele apresentadas foram vitoriosas. A Rio Preto arejada e aberta às mudanças falou mais alto e fez ouvir sua voz; por alguma razão esta voz foi silenciada pelas forças que emergiram em 2008.
A eleição de Valdomiro Lopes é mais que a vitória de um nome do passado, é a vitória de uma força arcaica. Nomes, posturas, comportamentos, e principalmente idéias que a muito custo foram soterradas ou esquecidas, emergem novamente estandardizadas pela atual administração. Os poucos meses que se passaram deste governo é uma evidência disso.
A falta explicita de um programa de governo, maior símbolo do arcaísmo, somado a nomes que se imaginava superados, e que agora desfilam por ai nos lembrando o passado hoje ressuscitado, coloca a cidade diante do que tem de pior. Quanto mais Rio Preto titubeia em se desvencilhar daquilo que representa o atraso, mais corre o risco de se ver abraçada a ele como nesta administração.
O prefeito Valdomiro Lopes é a consciência pesada daqueles que pela cidade fazem menos do que deveriam. A tal Terra de Oportunidades é uma ironia, quase cinismo. Fosse realmente a Meca que se vende, Rio Preto não estaria vivendo o descalabro político administrativo que vive hoje. A sucessão pornográfica de escândalos seja na Câmara, e agora também no Secretariado que sustenta o Executivo, como vimos no caso das cervejas na pasta do Esporte, não surpreende pela coisa em si, mas por que mostra o nível do grupo político que ai está.
O atual prefeito é uma amálgama das contradições da cidade e que precisam ser superadas. Ao mesmo tempo em que a cidade é moderna na imagem que vende de si, é atrasada por não reconhecer que a imagem que vende não dialoga com aquilo que é. Ao mesmo tempo em que Rio Preto possui uma imprensa atuante e investigativa, dá loas a grilos falantes ultrapassados não só pelo que falam, mas especialmente pelo que pensam. Ao mesmo tempo em que a cidade possui um empresariado moderno, não possui um projeto moderno para si mesma. Estas são umas entre tantas contradições. O que ainda não veio à tona como um vômito de consciência é o fato de que Rio Preto está vestindo roupa de gala em enterro de mendigo.
O problema da cidade é acertar o passo entre o que pensa e o que faz. Posto que Rio Preto nem é o que pensa, nem faz o que deveria. A cidade precisa de um projeto que concretize o que ela pensa que é e aquilo que é bom que ela seja. Ao custo de Rio Preto degenerar numa cidade de gente arrogante que pensa “a cidade sou eu”. twitter: Lucaalvarenga
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