O que queremos?

Luciano Alvarenga
Existem duas forças principais e conflitantes em deslocamento pelo pais e em busca de se realizarem concretamente por meio do poder político e econômico. Poderíamos dizer que se trata das forças do atraso e da modernidade no que isso significa de melhor e pior nelas. Mas dizer isso não seria dizer muita coisa uma vez que as forças do atraso e da modernidade vestem roupas diferentes em cada época histórica. Fiquei pensando sobre isso depois de assistir a uma matéria veiculada na TVTEM sobre a conferência em que promotores de justiça orientavam dezenas e dezenas de diretores de escolas e professores em várias cidades do Estado de São Paulo, sobre como se comportar em relação a alunos violentos. Algo como, fazer B.O envolve alguns procedimentos básicos…
Ora, num momento em que está claro a quem queira ver que não há saída de nenhum tipo que passe ao largo da educação, num momento em que as forças que separam os países estão se dando especialmente pelas linhas de produção de conhecimento, no Brasil o melhor que estamos vendo nos intramuros escolares é a justiça orientando docentes e diretores de como se relacionar, ou seria comprometer?, alunos problemáticos. Ao mesmo tempo em que o discurso neoliberal, ou melhor, o discurso de que o mercado resolve absolutamente tudo, faz água por todo canto e os seus estandartes largados pelas estradas, por aqui ele se renova num discurso cabisbaixo, mas raivoso, por meio de uma prática que visa excluir ainda mais quem ainda não foi totalmente jogado para fora. Ou como deveríamos entender a invasão pela polícia da favela de Paraisópolis em São Paulo, da maneira hedionda que ocorreu?
A liquefação da economia financeira mundial impõem aos países outros rumos, que não sejam as delicias do mercado financeiro, isso coloca em campo em cada pais as forças que disputam espaço sobre quem determinará a partir de agora estes mesmos rumos. A luta no Brasil, não se engane, será no pós-Lula entre duas forças preponderantes que pensam o pais a partir de um projeto de soberania e autonomia, vinculado as riquezas e potencias que carregamos como nação e tudo isso carreado em nome da construção, enfim, de uma pais mais justo e igualitário e; uma outra que vai perfilar suas forças para manter os rumos do país na direção já decadente, e por aqui trilhado nestes últimos 20 anos, de continuidade do projeto de privatização dos recursos naturais, de privatização do conhecimento por meio do abandono da Escola Pública, do abandono das cidades e de sua gente por meio do fracionamento do solo urbano via especulação imobiliária dividindo o meio urbano em condomínios hi tech de um lado, e favelas analógicas de outro.
Em cada cidade, em cada estado, e pelo pais todo, essa é a composição de forças que se embate neste momento histórico. A eleição de 2010 é o ponto de largada em que se definirá quem são e para quem governam e qual, fundamentalmente, é o projeto que será posto em andamento a partir de agora. Repetindo, um projeto que insiste com o discurso e a prática, decadente por todo lado, do neoliberalismo, ou a construção de outra possibilidade de nação em que as pessoas, suas cidades e sua gente não seja abandonada a própria sorte como se encontra ainda hoje.
Os sinais de uma coisa e outra já sabemos o que são e no que podem se transformar. Alunos queimando escolas e atacando violentamente professores nas periferias, a cidade transformada em campo de guerra onde vive quem se blinda, uma realidade onde poucos tudo podem e a maioria nada consegue, e uma parte não sabe se terá amanhã o que ainda tem hoje, é o trailer do filme que pode rodar se não tivermos em conta a importância das escolhas que faremos nos próximos meses e anos.
O que estamos vivendo mais uma vez como nação é a encruzilhada entre melhorar e piorar, e os que defendem uma coisa e outra estão espalhados pelo pais.
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