Barack Obama, uma ‘improvável’ jornada para a história


Com vitória arrasadora, democrata é o primeiro negro a chegar a Presidência dos Estados Unidos
CHICAGO – Pouco antes da meia-noite, em novembro do ano passado, Barack Obama, então em desvantagem nas pesquisas de opinião, subia ao palco em um auditório mergulhado na escuridão em Iowa, enfrentando um dos maiores nomes da política democrata, e um momento crucial, de grandes decisões. A grande virada, a partir da qual se tornaria um astro, quando se apresentara aos Estados Unidos na convenção democrata de 2004, era uma lembrança distante; sua campanha presidencial, iniciada nove meses antes, às vezes, fora bastante sem brilho. Ele sabia que o estado de Iowa poderia ser o fim – ou então o começo.
Naquela noite, os democratas estavam reunidos para o jantar de comemoração do Dia de Jefferson-Jackson, em Des Moines. Menos de dois meses antes dos primeiros caucus cruciais do país, realizados em Iowa, o evento poderia ser determinante para os aspirantes à presidência. E Barack Obama, um político de bom senso e orador particularmente dotado, estava preparado para a batalha. Obama, o último candidato a falar, considerado por alguns frio e cerebral demais, esquentou a atmosfera e o público com um apelo apaixonado.
Ele condenou as mesmas “velhas campanhas segundo o manual de Washington”, criticou os colegas democratas – até deu indiretamente um tapa na então favorita Hillary Clinton. “Não estou nesta campanha para satisfazer velhas ambições ou porque acredito que seja algo que eu mereço”, declarou. “Nunca imaginei que estaria aqui. Sempre soube que esta jornada seria improvável Nunca participei de uma jornada que não fosse.”
Os milhares de pessoas que o ouviam puseram-se de pé e o aplaudiram. Ele começava o seu caminho. No ano que se passou desde então, Obama conquistou o centro do poder democrata, quebrou todos os recordes de arrecadação de fundos, e fez história ao tornar-se o primeiro negro indicado de um partido importante.
A vida de Barack Obama não foi nada convencional, desde o começo. Sua biografia – mãe branca, pai africano, infância no Havaí e na Indonésia, seu trabalho numa das comunidades mais pobres do país, os estudos e a carreira de docente em algumas das universidades mais prestigiadas dos EUA – é diferente da de qualquer outro candidato à presidência.
Se por um lado esta formação eclética impulsionou sua extraordinária ascensão, por outro, o nome estrangeiro e a raça tornaram sua candidatura algo de difícil aceitação em algumas partes dos EUA. A mãe, nascida no Kansas, o pai originário do Quênia, o encontro dos dois na Universidade do Havaí, seu casamento, o nascimento de Barack – o “abençoado”, em árabe – no dia 4 de agosto de 1961. A infância exótica na Indonésia, pátria do pai adotivo; a convivência com a pobreza do Terceiro Mundo.
Depois do colégio, Obama cursou o Occidental College de Los Angeles, onde mergulhou pela primeira vez na política ao discursar em um comício contra o apartheid. Mas ele queria horizontes mais largos, então atravessou o país para estudar na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde se formou em Ciências Políticas. Depois de Nova York, mudou-se para Chicago. Não conhecia ninguém na cidade. Aceitou um emprego que pagava pouco com uma missão formidável: motivar os pobres a participar de um sistema político que tradicionalmente os excluía.
Tinha uma Honda velha com a qual se deslocava para a sua função de organizador da comunidade pelas ruas do South Side, uns bairros pobres devastados pela perda de empregos nas siderúrgicas e nas fábricas. Obama deu então um salto gigantesco: da pobreza do South Side para a atmosfera embriagadora da Faculdade de Direito de Harvard, a escola que prepara os filhos das elites dos Estados Unidos. Depois do primeiro ano, Obama trabalhou durante um verão em um escritório de advocacia em Chicago, onde Michelle Robinson foi sua assessora, outra estudante de Direito de Harvard e produto de uma família da classe trabalhadora. Casaram-se e tiveram duas filhas.
Enquanto Obama se preparava para deixar Harvard, recebeu várias propostas de emprego. Mas retornou a Chicago para seguir a carreira política. Novamente, preferiu um emprego modesto. Entrou numa pequena firma de advocacia com muitos contatos na política, que atuava na área de direito civil. Em 1996, quando foi eleito para o Senado estadual, alguns legisladores o tacharam de liberal fechado numa torre de marfim. “Ele costumava se interessar por tudo”, afirma o ex-senador estadual Denny Jacobs.
Entretanto, Obama fracassou redondamente em 2000, quando concorreu com o congressista Bobby Rush, um antigo membro dos Panteras Negras. Dois anos mais tarde, Obama decidiu aspirar a outro cargo, dessa vez no Senado federal. Ganhou as primárias bastante concorridas e logo se destacou como um astro em ascensão, impressionando o indicado democrata às eleições presidenciais, John Kerry. No outono de 2004, com uma votação esmagadora, Obama obteve a cadeira de senador dos Estados Unidos. Quase imediatamente, começou-se a falar em sua candidatura para a presidência.
Nos 22 meses de sua campanha, ele trilhou um caminho apertado, apresentando-se aos EUA como um rosto novo e como um candidato que não se enquadrava na política tradicional – mas com o conhecimento e o estofo necessários para chegar à Casa Branca. Durante toda a campanha, Obama falou de momentos de definição – depois de sua vitória inicial nos caucus de Iowa, e de meses difíceis, ganhou finalmente um número suficiente de delegados para conquistar a indicação democrata. Naquela noite de junho, ele começava a fazer história.
Fonte:http://www.estadao.com.br/internacional/not_int272625,0.htm

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Uma resposta em “Barack Obama, uma ‘improvável’ jornada para a história

  1. estamos felizes, mas não podemos esquecer que os estados unidos não merecem o obama, o país continua sendo a capital do etnocentrismo e habitado por uma maioria esmagadora medíocre e estúpida. sendo ainda o estado truculento que pisoteia o mapa mundi a décadas. a bem da verdade, as coisas vão melhorar, pois piores do que estão, não tem como ficar.

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