Quem fala em aula aprende a escrever melhor

Stefano Azevedo
“A sala de aula é um espaço privilegiado onde o aluno pode aprender a norma padrão da língua. Ali, o professor deve estimular o diálogo e ensinar que dentro da escola é adequado o estilo formal. Quando aprende a falar de modo mais elaborado, o aluno tem muito mais facilidade com a escrita”. Esta foi a idéia defendida pela especialista em educação sociolingüística Onaide Schwartz, professora doutora do departamento de educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que ministrou uma palestra sobre o tema na 20ª Bienal do Livro de São Paulo. Segundo ela, “ajudar o aluno a escrever melhor é uma tarefa difícil para o professor, pois ele precisa cobrar que seus alunos escrevam de uma maneira diferente da que falam. As crianças crescem se comunicando com a linguagem popular e sua maneira de se comunicar não pode ser substituída pela forma culta de escrever sem que haja conflitos. O melhor é antes transformar a fala, ensiná-las a falar a linguagem dos livros”. Caso isso seja feito, os alunos terão mais facilidade para compreender a leitura, pois estarão acostumados com a forma da linguagem e poderão avançar para a compreensão dos conteúdos. Depois, eles vão escrever com muito menos erros, pois poderão se basear na fala elaborada que aprenderam. Método Bidialetal – Tal maneira de ensinar está baseada no Método Bidialetal, explicado melhor no livro de Onaide: “Alfabetização: Método Sociolingüístico. Seu objetivo é que dentro da escola a fala popular seja transformada na fala padrão, mas ressalva que essa não deve ser uma substituição. “Não pode dizer que a língua da criança está errada e que você vai ensinar a língua certa”, disse. Assim, a primeira parte do método é respeitar a linguagem da criança, elogiando, mostrando que é eficiente, boa, comunica, mas que existe um outro modo de se comunicar que também é bom. Em seguida, é preciso mostrar exemplos de discriminação lingüística por meio de exemplos. “Gosto de fazer um exercício em que imito uma pessoa pedindo um emprego com linguagem culta e com linguagem popular. Os alunos sempre chegam à conclusão de que o contratante vai preferir o da fala culta. É uma maneira eficiente de mostrar que a qualidade da apropriação da linguagem gera preconceitos e que é importante para o exercício da cidadania”, sugeriu. O próximo passo é mostrar que a linguagem é como uma roupa. Assim como existe uma roupa adequada para cada situação, o mesmo vale para o estilo da linguagem, e na escola é apropriado falar a norma padrão. Por isso, é preciso respeitar a maneira como familiares, vizinhos e amigos falam fora da escola, que não é correto ficar corrigindo. Já na sala de aula, é importante que os alunos falem o máximo possível, para praticarem a norma padrão no espaço que é privilegiado para isso. Finalmente, é preciso apontar a necessidade de aprender a língua padrão, a língua da escola, para saber falar dos dois jeitos. “A linguagem culta é utilizada na televisão. Fico me perguntando por que ela não é assimilada pelas pessoas que assistem. Acho que é por que ninguém mostrou para elas a necessidade de se apropriar da linguagem. O professor deve mostrar esta necessidade e ensiná-la sem tentar substituir o modo antigo, mas sim deixando o aluno livre para conhecer e aprender um modo novo”, concluiu.

Portal Aprendiz, 20/08/2008
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